"O mais antigo jornal que se tem notícia foi o Acta Diurna. O mesmo surgiu por volta de 59 a.C. a partir do desejo de Júlio César de informar a população sobre factos sociais e políticos ocorridos no império - como campanhas militares, julgamentos e execuções."
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Empresas públicas dão mundo de regalias a trabalhadores e familiares

A Soflusa dá mais de 100 mil viagens grátis por ano. Os filhos dos sete mil trabalhadores da TAP não pagam bilhetes de avião nesta operadora aérea até aos 25 anos e alguns mantêm a regalia mesmo depois de os pais já se terem reformado da companhia. Na Carris, estar de baixa compensa porque a empresa garante ao trabalhador o salário sem descontos.

Numa altura em que um relatório dos Técnicos Oficiais de Contas revela que as empresas públicas ou controladas pelo Estado devem mais de 38 mil milhões de euros, em que as administrações têm de reduzir as despesas em 15%e cortaram 10 % nos salários, a manutenção de algumas destas benesses é considerada ainda «mais escandalosa».

«Há situações que são imorais. E que têm vindo a acumular-se ao longo dos anos», afirma Marques Mendes. Muitos desses privilégios foram herdados do antigo regime, adaptados e renegociados em acordos de empresa com os sindicatos, como forma de compensar os trabalhadores pela ausência de aumentos salariais: «A maior parte das administrações destas empresas foi conivente com a situação. Foram pactuando e acrescentando regalias para comprar a paz social», recorda o ex-líder do PSD.

Nenhuma das empresas públicas ou participadas pelo Estado que o SOL contactou quis adiantar o valor anual gasto com estas regalias sociais. E as várias auditorias do Tribunal de Contas apenas permitem perceber o impacto de algumas delas.

O fim destes direitos adquiridos dos trabalhadores só pode acontecer se houver luz verde do trabalhador e das estruturas sindicais. Mas a situação excepcional do país pode justificar a tomada de decisões extremas. Ainda na semana passada o Tribunal Constitucional invocou isso mesmo para validar os cortes médios de 5% nos salários dos funcionários públicos decididos em 2010.

Marques Mendes defende, por isso, que este é o momento para se alterarem certos benefícios: «A situação é de emergência e as empresas não têm condições para continuarem a manter regalias que não são financeiramente suportáveis. Se se cortam salários, porque não se cortam regalias?».

Para João Duque, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão, é fundamental perceber quanto é que as empresas gastam com estes benefícios. Na instituição que dirige, reconhece, «ainda há ‘o dia do mês’ – que antes do 25 de Abril era dado apenas às mulheres e depois foi alargado aos homens».

O responsável lembra que muitas destas benesses foram usadas como forma de compensar os trabalhadores pela ausência de aumentos salariais. E se a situação do país facilita a tomada de decisões, qualquer mudança não deve ser feita abruptamente e terá de ter em conta critérios de justiça. Até porque «há muitos funcionários públicos a ganhar mal e a trabalhar bem e as instituições não têm forma de os premiar e incentivar», remata João Duque.

(Fonte)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Empresas do Estado acumularam prejuízos de 500 milhões em 2010

As perdas acumuladas do Sector Empresarial do Estado alcançaram 500 milhões de euros em 2010, excluindo o Metro de Lisboa e o Centro Hospitalar do Porto, revela um estudo apresentado hoje.

Este valor compara com os prejuízos globais de 200 milhões de euros em 2009.

A primeira edição do “Anuário do Sector Empresarial do Estado”, elaborado pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, analisa o desempenho das empresas públicas em 2010 e revela que os resultados operacionais, financeiros e líquidos das 154 companhias analisadas pioraram no ano passado, pondo em risco a sua sustentabilidade.

Em 2010, o endividamento líquido das 77 empresas que compõem a carteira principal da DGTF cresceu para 23 mil milhões de euros e a dívida de curto prazo ultrapassou 13 mil milhões de euros.

De acordo com o estudo, 26 empresas do Estado estão em situação de falência técnica, com capitais próprios negativos.

(Fonte)


sábado, 24 de setembro de 2011

Ordem dos Advogados vai avançar com acções judiciais contra o Estado

O Bastonário da Ordem dos Advogados afirmou hoje que vai tomar «acções judiciais contra o Estado» e que «não vai perdoar nem um centavo dos juros da dívida [cerca de 30 milhões de euros] que o Estado tem para com os advogados oficiosos».

Na abertura da assembleia-geral extraordinária que decorre na sede da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto levantou a questão num dia em que estão a ser discutidas medidas que levem o Ministério da Justiça a pagar a dívida aos advogados pelo apoio judiciário.

«Vamos tomar acções judiciais contra o Estado e não vamos perdoar nem um centavo de juros. Nem que o Estado leve 100 anos a pagar aquilo que deve», afirmou Marinho Pinto, perante uma plateia de cerca de 600 advogados.

Lusa/SOL


Curioso que isto esteja tudo acontecer depois do Sócrates ir embora. Enquanto ele esteve lá, estes advogados não sentiram falta do dinheiro?

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