"O mais antigo jornal que se tem notícia foi o Acta Diurna. O mesmo surgiu por volta de 59 a.C. a partir do desejo de Júlio César de informar a população sobre factos sociais e políticos ocorridos no império - como campanhas militares, julgamentos e execuções."
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Olha, o BE já aplica o novo código laboral

Sim, é verdade. Em 2011, o BE conseguiu metade dos votos de 2009, logo, está a receber metade da subvenção anual (menos 68 mil euros por mês). Resultado? O BE teve de despedir pessoas.

Dos 80 funcionários, 20 foram despedidos, porque simplesmente deixaram de ser necessários, porque o seu posto de trabalho desapareceu (há menos deputados). Ora, é precisamente esta elasticidade que está presente na nova lei laboral. Perante uma mudança económica ou tecnológica que acaba com posto de trabalho x, a empresa deve ter a liberdade para dispensar o funcionário de x.

Como é que as coisas eram até hoje? Se aquela pessoa fosse do famoso "quadro", mais valia deixá-la estar, porque era demasiado caro despedi-la. Resultado final desta história?

As empresas e o próprio Estado começaram a recorrer aos recibos verdes como forma de contornar esta rigidez de fundo. É assim tão difícil perceber isto? É assim tão difícil pensar como um empresário? Ou pensar como um empresário é fascismo intrínseco?

Ok, se não conseguem pensar como um empresário, então pensem como a direcção do BE, que foi uma precursora do novo código laboral.

sábado, 7 de janeiro de 2012

U2 e Rolling Stones com património na Holanda por motivos fiscais

O fenómeno não é só português. Há vários anos que milhares de empresas de todo o mundo abrem filiais ou subsidiárias no país.

Artistas mundialmente conhecidos como os U2 e os Rolling Stones transferiram nos últimos anos partes substanciais do seu património para a Holanda por motivos fiscais.

A venda de 56% do capital da Jerónimo Martins pelo seu principal accionista a uma filial holandesa , anunciada esta semana, trouxe ao debate público a questão das empresas portuguesas que se transferem para a Holanda.

No entanto, o fenómeno não é só português. Há vários anos que milhares de empresas de todo o mundo abrem filiais ou subsidiárias na Holanda, normalmente por razões ligadas ao planeamento fiscal.

Entre as entidades que o fizeram estão bandas rock como os irlandeses U2 ou os ingleses Rolling Stones ou os herdeiros do norte-americano Elvis Presley.

O "New York Times" noticiou que os Rolling Stones (com excepção do guitarrista Ron Wood) têm há mais de três décadas laços com a Holanda através de uma firma de contabilidade de Amesterdão.

Segundo o jornal norte-americano, entre 1987 e 2007 Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts pagaram 7,2 milhões de dólares (5,6 milhões de euros) em impostos sobre rendimentos de 450 milhões - o equivalente a uma taxa de 1,5 por cento, muito abaixo do que teriam de pagar no Reino Unido ou nos EUA. O New York Times escreveu ainda que os três músicos estabeleceram fundações na Holanda que lhes permitirão transmitir o património aos seus herdeiros sem ter que pagar quaisquer impostos sucessórios.
Manager dos U2 refuta críticas

Quanto aos U2 a passagem para o país das tulipas foi mais recente. Em 2006, a Irlanda fez uma reforma fiscal que limitou a isenção de impostos para artistas a rendimentos inferiores a 250 mil euros.

A banda transferiu então a sua firma de publishing (gestão do catálogo musical, através do qual recebem direitos de autor) para Amesterdão. A decisão motivou muitas críticas na Irlanda, particularmente tendo em conta a vocação filantrópica dos U2, e sobretudo do seu vocalista, Bono.

"Não há nada de ilegal no que eles fizeram ao aproveitar-se de leis fiscais mais favoráveis, mas tendo em conta o que o Bono investiu nas campanhas contra o fim da pobreza, achamos que há aqui uma contradição", disse em 2009 Ni Chasaide, porta-voz de uma ONG irlandesa, citada pelo Irish Independent.

O manager dos U2, Paul McGuiness, reagiu às críticas em declarações ao mesmo jornal, dizendo que a banda "é uma empresa global que paga impostos a nível global".

"Pelo menos 95 por cento dos negócios dos U2 - incluindo a venda de discos e de bilhetes [para concertos] - tem lugar fora da Irlanda, e portanto a banda paga muitos impostos por todo o mundo", disse McGuiness ao Irish Independent. "Tal como qualquer outra empresa, os U2 operam de uma forma fiscalmente eficiente", afirmou.

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Como é normal entre a esquerdalha, todos eles querem um "estado social" mas nenhum quer subsidiá-lo.

Cambada de hipócritas e falsos moralistas; viajam pelo mundo inteiro a lutar contra o que eles classificam de "capitalismo" ao mesmo tempo que preservam de um modo agressivo os seus lucros da predação estatal por via de impostos ridículos.

Sempre bom ter isto em mente da próxima vez que o hipócrita do Bono vier com conversas moralistas.

sábado, 15 de outubro de 2011

O novo embuste socialista


por Adolfo Mesquita Nunes

O PS tem ensaiado a tese de que o Governo se preocupa com a consolidação orçamental (chamam-lhe austeridade) e descura o crescimento. Para os socialistas, a obsessão do Governo com essa austeridade está a conduzir o país a um beco sem saída.

Esta tese não passa de um embuste, e é bom que se perceba porquê. Em primeiro lugar, o país chegou a um beco sem saída pelas mãos do PS, que ignorou todos quantos alertaram para o disparate das políticas despesistas e de endividamento de José Sócrates.

A austeridade que nos é imposta pelo memorando que o PS negociou e subscreveu tem o rosto dos socialistas. Todos os sacrifícios que estão a ser impostos aos portugueses têm uma origem: a obstinação socialista de gastar o dobro do que produzimos.

Em segundo lugar, é importante perceber de que fala o PS quando fala em crescimento. Os governos PS, no poder quase ininterruptamente desde 1995, multiplicaram-se em planos de crescimento económico. Experimentem pesquisar no Google com “plano+nome de qualquer ministro PS” e descobrirão dezenas de planos em que o nosso dinheiro foi investido.

Chegados a 2011, o resultado está à vista.

Se os planos socialistas funcionassem, Portugal estaria na linha da frente. Mas não funcionam. Se o Estado tivesse a capacidade de gerar crescimento, Portugal seria um exemplo de crescimento. Mas não tem.

Em terceiro lugar, o modelo socialista gera inevitavelmente um Estado tentacular. Um modelo de crescimento centrado nas mãos do Estado implica sempre aumento de despesa pública. É por isso que o PS se especializou no aumento da despesa. Mas se a despesa pública trouxesse, por si, crescimento, Portugal seria um dos países mais robustos da Europa.

Assim, e este é o último ponto, a consolidação orçamental não é um capricho. É uma inevitabilidade. Porquê? Porque o PS gastou mais, muito mais, mas mesmo muito mais, do que aquilo que podia. E o dinheiro acabou, realidade escancarada, mas não gerada, pela crise internacional.

O que fazemos nós quando o dinheiro acaba? Adaptamos as nossas despesas à nossa capacidade económica. O Estado não funciona de forma diferente. Se o dinheiro acaba (e é preciso recordar que o dinheiro do Estado sai dos bolsos dos contribuintes), é preciso reduzir as suas despesas.

Precisamos de crescer? Claro que sim. Mas o crescimento, que aliás nos permitirá sustentar as funções essenciais do Estado, não passa pela ilusão de que este se decreta por despacho ou se alcança com investimento público. Se assim fosse, e essa foi a resposta imediata de José Sócrates, Portugal teria sido o primeiro país a sair da crise, como aliás o então Primeiro-Ministro chegou a prometer.

O crescimento não passa por criar ilusões de que é possível gastar sem onerar o futuro, porque a conta terá sempre de ser paga. Vejam-se as SCUT ou as PPP que os socialistas tanto apreciaram: diziam que a coisa não se pagava ou que não ia custar quase nada, mas a factura, como alguns em tempo alertaram, acabou de chegar.

Não. Este Governo não está obcecado com a consolidação orçamental e a ignorar o crescimento. Está apenas ciente de que não há crescimento sem consolidação nem há robustez económica com um Estado gigante. E sabe, até porque a pesada herança a isso obriga, onde nos leva a alegria socialista de gastar agora e pagar depois.

Por todos estes motivos, e ainda por alguns outros, a tese que António José Seguro tem protagonizado é um embuste que se traduz, na prática, em dizer aos portugueses: “fizemos tudo mal desde 1995 e a nossa receita para sair desta crise é… fazer mais do mesmo”.

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