"O mais antigo jornal que se tem notícia foi o Acta Diurna. O mesmo surgiu por volta de 59 a.C. a partir do desejo de Júlio César de informar a população sobre factos sociais e políticos ocorridos no império - como campanhas militares, julgamentos e execuções."
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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Guantanamo: Prisioneiros torturados por música da «Rua Sésamo»

Os prisioneiros de Guantanamo estão a ser torturados com a emissão ininterrupta do genérico do programa televisivo infantil «Rua Sésamo», segundo um documentário da Al Jazeera.

Já se sabia que os norte-americanos recorriam à música rock para fragilizar a resistência dos prisioneiros nos interrogatórios, mas agora estão a utilizar o famoso tema da autoria de Christopher Cerf.

«A princípio, quando me contaram, eu não acreditei», disse Cerf. «Obviamente não me agrada a ideia da minha música ser utilizada em Guantanamo para infligir dor nos prisioneiros», comentou.

Em 2009 assistiu-se a um movimento de oposição à estratégia de usar música para torturar os prisioneiros de Guantanamo, com o apoio de nomes tão notórios como os R.E.M., Pearl Jam e Bruce Springsteen.

O guitarrista dos Rage Against The Machine, Tom Morello, afirmou na ocasião sentir-se «enojado» com o facto de a música que ajudou a criar ter sido utilizada para realizar «crimes contra a Humanidade».

O encerramento da prisão de Guantanamo chegou a ser decretado pelo Executivo de Obama, mas ainda hoje o estabelecimento prisional mantém 171 detidos.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Dissidente chinês escapa a prisão domiciliária e manda vídeo ao Governo

Chen, cego desde a infância, estava em prisão domiciliária desde 2010

O dissidente chinês e activista dos direitos humanos Chen Guangcheng, que cumpriu quatro anos de prisão e estava desde 2010 em prisão domiciliária, conseguiu escapar da sua residência fixa.

Chen Guangcheng, segundo avança a edição online da BBC, deixou também um vídeo dirigido ao primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, no qual apela a uma investigação às agressões brutais que assegura que a sua família sofreu. No mesmo vídeo – divulgado pelo site Boxun, que publica notícias de dissidentes chineses e tem base nos Estados Unidos – Chen pede ainda que a segurança da sua família seja assegurada e que a corrupção que se vive na China seja combatida de acordo com a lei.

Os activistas dos direitos humanos avançaram que Chen conseguiu escapar da sua casa em Shandong no passado domingo, com várias fontes a garantirem que está agora num lugar seguro em Pequim. “Agora posso partilhar convosco que Chen está numa localização 100% segura em Pequim. É tudo o que posso partilhar convosco”, disse Bob Fu por email à BBC, fundador da organização China Aid, com base no Texas, nos Estados Unidos. A mesma informação foi confirmada por um outro activista que tem acompanhado o caso de perto, He Peirong.

Chen, cego desde a infância, tornou-se particularmente conhecido por denunciar os abortos forçados no país, que adoptou a política do filho único como controlo dos altos índices de natalidade. Em 2006, acusou as autoridades locais de terem obrigado 7000 mulheres a abortar ou a serem esterilizadas, mas foi condenado por “danos intencionais à propriedade privada” e por “juntar uma multidão para perturbar o trânsito”. Nesse ano, a coragem da denúncia fê-lo ser eleito pela revista Time como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo.

O activista também dava aconselhamento jurídico, sobretudo em casos de vítimas de autoridades corruptas, a populações da sua província que não tinham acesso a advogado, apesar de nunca ter tirado o curso de Direito.

Críticas internacionais

As autoridades chinesas têm recebido críticas internacionais à sua actuação no caso de Chen Guangcheng, em especial depois de a sua filha ter visto o acesso à escola barrado. A própria secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, já fez apelos para a sua libertação, numa altura em que se prepara para uma visita oficial a Pequim na próxima semana. Da mesma forma, muitas das pessoas que tentaram visitá-lo foram sempre afastadas pela polícia. No final do ano passado, 13 pessoas foram detidas entre mais de 40 que o tentavam visitar. Os visitantes pretendiam estar com Chen por ocasião do seu 40.º aniversário.

Já antes, em Fevereiro de 2011, Chen Guangcheng foi espancado pela polícia depois de ter divulgado um vídeo em que falava da sua prisão domiciliária.

Apesar da forte vigilância a sua casa, Chen conseguiu fazer passar para o exterior imagens em que relata, tal como a sua mulher, detalhes da detenção. O vídeo, colocado no site da China Aid, enfureceu as autoridades, que espancaram o activista, adiantou na altura a organização não governamental de direitos humanos Chinese Human Rights Defenders (CHRD). Com o vídeo, ficou a saber-se que cerca de 60 homens em diferentes turnos impediam o acesso à sua casa e ameaçavam quem se aproximasse para tentar ajudar.

Fonte

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Família de português torturada até à morte

A família Viana, originária de Famalicão, não teve tempo de chamar a segurança privada, a polícia ou vizinhos, que, em Walkerville, vivem a 500 metros, em enormes talhões típicos de uma zona rural de Joanesburgo. Um dos assaltantes que no sábado invadiram a casa do português António, da mulher Giraldine e do filho Amaro, de 13 anos, é filho da empregada doméstica do casal. Já está preso, por, com os dois cúmplices, a monte, terem torturado, violado e executado as três vítimas a sangue-frio.

Tempo não era problema, ninguém acudiria aos gritos das vítimas. "Não o aconselho a entrar. O que vimos nesta casa hoje é indescritível, próprio de um filme de terror. Até nós, que fazemos disto profissão, estamos em choque", confessou uma das mulheres que ontem limparam a cena do crime, ao serviço de uma empresa especializada.

Quem esteve no interior descreve "cenas de tortura visíveis em dez divisões - fáceis de adivinhar pelos vestígios deixados pelos assassinos". Amaro, de 13 anos, estava na banheira, mãos atadas atrás das costas. Foi abatido a tiro na cabeça, depois de mergulhado em água a ferver.

A mãe, Giraldine, estava no quarto do casal, mãos atadas, bala na cabeça e sinais claros de violação. Tinha vidros no interior do corpo. António, dono de uma empresa de ferramentas, foi encontrado na sala de estar, mãos atadas e tiro na nuca.

A polícia chegou à casa, domingo, para informar o português de que tinha encontrado o seu automóvel no bairro de lata de Orange Farm. Foi então que os agentes se depararam com a cena dantesca. "Um trabalho feito por dentro que nem uma patrulha policial no portão da propriedade poderia ter evitado", disse o vereador Malcolm Mack, que representa Walkerville na câmara local.

JARDINEIRO É O PRINCIPAL SUSPEITO E POLÍCIA PROCURA DOIS CÚMPLICES

O capitão Shado Mashobane, da polícia, diz que a corporação "não deixará pedra sobre pedra" na investigação do triplo homicídio da família Viana. "Detivemos na segunda-feira um suspeito e temos provas suficientes para o acusar formalmente de três homicídios, um crime de violação, roubo de viatura e furto de propriedade privada. Os outros dois que sabemos terem participado activamente nesta acção serão capturados", afirmou o oficial. O detido, de 20 anos, trabalhava nos vastos jardins da residência do empresário, além de ser filho da empregada doméstica.

DISCURSO DIRECTO

"CHOQUE COM A VIOLÊNCIA", Padre Carlos Gabriel, há 15 anos na África do Sul

Correio da Manhã - Como reagiram os portugueses a este crime?

Padre Carlos Gabriel - Ficaram chocados com a violência. Não conhecia esta família, mas sei que eram pessoas de classe média que viviam do trabalho. Ninguém merece isto.

- Como é vista a comunidade portuguesa no país?

- É vista com respeito, como trabalhadora, composta por pessoas honestas que vivem para a família. A comunidade é um pouco fechada, pois é um país violento. Não se é livre como na Europa.

- Continua a ser um país muito violento.

- Sim. O crime desceu imenso, mesmo entre os portugueses, mas este crime dá para ver que há muito a fazer. Há um mês foi morto um outro português num assalto.

- Que pode ainda ser feito?

- O presidente deu mais poder às polícias mas parece não ser suficiente. Tem de haver mais patrulhamento e visibilidade.

"ESTE CRIME ENCHE-NOS DE HORROR"

Walkerville fica a vinte quilómetros do centro de Joanesburgo, mas nem por isso deixa de ser uma área de sabor rural. Apesar de viverem a distâncias consideráveis uns dos outros, os habitantes sofrem em uníssono pela família Viana. Na noite de ontem, mais de 300 residentes reuniram-se num clube da zona para discutir os homicídios de António e Giraldine, bem como do filho Amaro, homenagear a família e estudar planos de acção para a segurança da área.

Os vizinhos das vítimas afinaram planos, já em curso, para reforçar as estruturas da comunidade. A polícia comunitária, que tem conseguido reduzir a criminalidade com recurso a patrulhas de voluntários, ligadas às autoridades, que contribuem com a doação de equipamentos, vai ser reforçada.

"Este crime apanhou todos de surpresa e encheu-nos de horror, mas temos consciência de que a união faz a força e que, em vez de protestar e gritar contra o Estado, compete-nos também a nós, cidadãos, olhar uns pelos outros, conhecer os vizinhos e colaborar com as autoridades", disse Ivan Parkes, membro do comité de apoio a vítimas da criminalidade da esquadra de Vereeniging, o comando no qual cai Walkerville. A família Viana é recordada como estável, cordial, com muitos amigos na zona.

PADRE AJUDA COMUNIDADE PORTUGUESA

O padre Carlos Gabriel, natural de Vila de Rei, com 30 anos de sacerdócio, 28 dos quais em África - está há 15 na África do Sul -, reside no bairro de Benoni, Joanesburgo, e é um elo de ligação entre os milhares de portugueses que residem no país. Apela a mais segurança.

POLÍCIA CONTINUA SEM ESCLARECER OS MOTIVOS DO CRIME VIOLENTO

Está ainda por clarificar o móbil do triplo homicídio. Segundo fontes ligadas à investigação, os assassinos deixaram na residência bens como computadores e televisões. Mas recolheram outros objectos das vítimas e puseram-se em fuga numa viatura da família, depois abandonada num local visível, no bairro de lata de Orange Farm, na zona do Soweto.

Residentes da zona especulam, com base nos padrões da criminalidade sul-africana, que os assaltantes poderiam estar sob o efeito de drogas, de grandes quantidades de álcool ou de ambos, quando infligiram atos de tortura a António Viana, à sua mulher e ao seu filho. "Mesmo que tenha sido um acto de vingança, ajuste de contas, não se compreende. Especialmente estando uma mulher e uma criança entre as vítimas. "Que apodreçam na prisão até morrer", desabafou um vizinho.

400 HOMICÍDIOS DESDE 1994

Segundo dados oficiais, desde 1994 foram assassinados cerca de 400 portugueses e luso-descendentes na África do Sul. Segundo dados do consulado, desde 2005 terão sido meia centena as vítimas mortais.

ABASTADOS E COM SUCESSO

Os portugueses são umas das maiores comunidades estrangeiras no país e são vistos como pessoas abastadas, com sucesso nos negócios, em especial na agricultura e no comércio a retalho, o que os torna um alvo dos criminosos.

(Fonte)


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